Considerações sobre o exercício aeróbio em jejum (AEJ)

Resolvemos escrever este artigo para esclarecer nosso posicionamento a respeito do famoso aeróbio em jejum (AEJ), visto que muitas pessoas nos perguntam a respeito.

Olá amigos, tudo bem?

Resolvemos escrever este artigo para esclarecer nosso posicionamento a respeito do famoso aeróbio em jejum (AEJ), visto que muitas pessoas nos perguntam a respeito.

Primeiramente, gostaríamos de deixar claro que este é nosso posicionamento e não uma regra a que todos devem seguir.

Como primeiro ponto, de acordo com Schoenfeld, B. (2011) os exercícios em jejum oxidam um tipo de triglicerídeo (os triglicerídeos intramiocelulares IMTG’s) que ficam localizados dentro das fibras musculares de tipo I (conhecidas como fibras lentas ou fibras vermelhas) e, estes triglicerídeos fornecem cerca de dois terços da energia durante o exercício.

Fazer AEJ é uma estratégia muito usada por atletas para melhorar seu desempenho, e não sua estética, haja vista que os IMTG’s são oxidados apenas dentro das fibras musculares. Este triglicerídeo é diferente do ácido graxo plasmático, portanto não possui qualquer influência na aparência ou na saúde (lembrando que para tal é necessário mobilizar a gordura subcutânea).

Além deste estudo, outros autores já nos mostraram que, quando o assunto é gasto energético, treinar em jejum traz os mesmos resultados que treinar com refeição pré-treino (Gillen e colaboradores, 2013; Schoenfeld e colaboradores, 2014). Schoenfeld (2011) também aponta que exercícios em jejum aumentam a proteólise (cerca de 10% em 1 hora de exercício moderado), que é a degradação de proteínas. Ou seja, não é uma boa opção realizar AEJ se o objetivo da pessoa for ganhar massa muscular.

Segundo ponto (e o que consideramos mais importante, já que somos treinadores), quando pensamos em realizar uma sessão de treino, uma das coisas que devemos pensar é a respeito da duração desta sessão e, se teremos energia o suficiente para realizar esta sessão com a máxima qualidade possível. Alimentar-se antes do treino permite que a pessoa o faça com maior intensidade e melhor técnica, o que consequentemente gerará maior gasto energético e segurança (Schabort E J et al. 1999).

“Ah... mas correr não é uma atividade com técnica difícil”.

- Será?

Vemos por aí muitas pessoas que não sabem correr, que não tem a mínima coordenação entre membros inferiores e superiores, nem a estabilização necessária na musculatura do tronco, podendo gerar assim uma série de lesões que vão de dores nos joelhos à lombar, entorses no tornozelo, etc.

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Muitas pessoas não conseguem nem executar movimentos básicos como skippings e suas variações (exercícios para aperfeiçoar a coordenação motora e mecânica da corrida) e querem extrapolar seus limites fisiológicos submetendo seu corpo a altas demandas de corrida. *Em outro post comentaremos mais a respeito da mecânica da corrida e de seus educativos.

Para nós, TODO exercício tem caráter neuromuscular. Ou seja, se levarmos até à falha, perderemos a qualidade técnica do movimento. Portanto, se durante qualquer exercício corporal, seja ele de característica aeróbia ou anaeróbia, depletarmos os estoques de glicogênio muscular, a chance de perdermos a qualidade técnica do movimento é altíssima!

Resumindo: as chances de lesões agudas e crônicas são maiores.

 Toda dieta deve ser programada por um nutricionista e todo treinamento deve ser prescrito por um profissional de Educação Física. O trabalho multidisciplinar serve para traçar uma linha segura e coerente para que os melhores benefícios sejam alcançados. O que explanamos aqui foi nossa visão a respeito dos riscos que realizar exercícios corporais em jejum oferecem.

Lembrando mais um vez que este é nosso posicionamento a respeito de realizar exercícios corporais em jejum.

 Referências:

GILLEN, Jenna B. et al. Interval training in the fed or fasted state improves body composition and muscle oxidative capacity in overweight women. Obesity, v. 21, n. 11, p. 2249-2255, 2013.

SCHABORT, ELSKE J. et al. The effect of a preexercise meal on time to fatigue during prolonged cycling exercise. Medicine and science in sports and exercise, v. 31, n. 3, p. 464-471, 1999.

SCHOENFELD, Brad. Does cardio after an overnight fast maximize fat loss?. Strength & Conditioning Journal, v. 33, n. 1, p. 23-25, 2011.

SCHOENFELD, Brad Jon et al. Body composition changes associated with fasted versus non-fasted aerobic exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition, v. 11, n. 1, p. 54, 2014.