Como a dependência às drogas nos ajuda a entender a obesidade?

O que devemos entender para mudarmos nossa perspectiva em relação à obesidade?

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Logo nos anos 60, James Olds descreveu o que hoje conhecemos por “Mecanismo de recompensa cerebral”, que nada mais é do que uma complexa rede de neurônios que é ativada quando fazemos atividades que nos causam prazer. Este sistema nos fornece uma recompensa sempre que fazemos algumas atividades, o que nos leva, portanto, a repetir determinados atos, como comer aquele lanche ou tomar aquele sorvete, por exemplo.

Biologicamente, ele tem uma função essencial e muito específica: garantir a sobrevivência do indivíduo e da espécie, ao fornecer motivação para comportamentos como comer, beber e se reproduzir. Mas, infelizmente, não somente as funções fisiológicas normais estimulam este sistema, o álcool e outras drogas também o estimulam cada qual em seu nível. 

Foi pensando neste mecanismo de recompensa que Volkow e Wise descobriram que as drogas podem nos ajudar a entender a obesidade.

Muitos agentes aditivos que estão introduzidos nos alimentos servem como veneno para afastar as pessoas ou animais de seu consumo. Porém, devido à necessidade de se alimentar, muitas espécies aprenderam a aceitar quantidades levemente intoxicantes desses compostos. Assim, aprendemos a mastigar a folha de tabaco, comer pimenta e a beber o néctar de frutas e grãos fermentados. Paradoxalmente, alguns dos venenos que se desenvolveram nas plantas para desencorajar os animais a comê-las, acabaram por formar o hábito dos animais a ingeri-las.

Portanto, o vício e a obesidade resultam de hábitos de ingestão e de “ir à procura de algo”, que persistem fortemente no nosso comportamento apesar da ameaça de consequências catastróficas. Ingestão de alimentos e uso de drogas envolvem comportamentos aprendidos e preferências que são marcadas pelas forças das propriedades repetitivas do reforçamento e recompensa. Assim, um alimento gostoso ativa nosso mecanismo de recompensa, dando-nos prazer quando aumentamos a concentração de glicose no sangue e no cérebro, enquanto os remédios ativam esses mesmos caminhos principalmente através de seus efeitos farmacológicos direto nos circuitos de recompensa.

No entanto, a estimulação supra fisiológica repetitiva de vias de recompensa por drogas não somente define hábitos e estimula preferências, mas também desencadeia adaptações neurobiológicas que evoluem aos poucos para um comportamento compulsivo que leva à perda do nosso controle sobre a ingestão.

Grande parte desta culpa está relacionada ao impulso do genoma e as influências ambientais, pelo fato de termos fácil acesso aos ali mentos. É comum pensarmos que temos controle sob o que ingerimos. No entanto, o vício e obesidade são distúrbios multifatoriais, e a regulação do consumo de alimentos é muito mais complexa do que a do consumo de drogas, porque a ingestão de alimentos é modulada por múltiplos sinais periféricos e centrais, enquanto os medicamentos são modulados principalmente pelos efeitos centrais da droga.

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Podemos observar nesta imagem, na área estimulada, onde estudos mostram alterações na atividade dopaminérgica cerebral, associados à ruptura na atividade do córtex pré-frontal . É claro que a intensidade destes estímulos não são iguais, haja vista a natureza de cada substância. Porém, estas funções são particularmente informativas para a compreensão do vício, pois sua interrupção está ligada a comportamentos compulsivos.

Ou seja, quando o assunto é obesidade, devemos entender que para trata-la, é necessário a total compreensão a seu respeito, que envolve a consciência de uma alimentação saudável, de uma vida ativa e de um bom convívio social. Sendo assim, uma abordagem multidisciplinar trará maiores benefícios, visto que fatores sociais, biológicos e psicológicos a envolvem.

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