3 fatos interessantes sobre o kettlebell

Este texto é um resumo de dois trabalhos acadêmicos realizados pelos professores Paulo Fabrício e Rafael Alonso a respeito do kettlebell e seus efeitos no nosso organismo.

Primeiramente, abordaremos alguns aspectos biomecânicos que diferenciam essa ferramenta, para que depois possamos conhecer mais a respeito de alguns dos efeitos metabólicos documentados até então.

1. Sua origem.

Muito utilizado no treinamento funcional, o kettlebell, ferramenta parecida com um sino, teve sua origem na antiga Rússia, onde era conhecido como girya. O primeiro registro da palavra Girya foi encontrado em um dicionário russo de 1704 onde, nesta época, os kettlebells eram utilizados como contrapesos nas lojas ou nas propriedades rurais do país. Posteriormente, os trabalhadores descobriram que esta ferramenta poderia ser usada como forma de condicionamento físico. Muito se passou desta época até hoje, onde atualmente existem competições e federações ligadas à prática do kettlebell training e, o mesmo também é muito utilizado em programas de condicionamento físico.

Kettlebells

2. O que diferencia o treinamento com kettlebell dos demais métodos de treinamento?

A partir dos estudos de McGill e Marshall (2012)* foi descrito o conceito de super-rigidez (ou pico de contração dupla) que, pode ser entendido como o fato de um músculo conseguir não só contrair-se de maneira rápida e explosiva, mas também, o fato deste mesmo músculo relaxar-se da mesma maneira, rápida e explosivamente. Ao treinar com o kettlebell, o praticante executa movimentos pendulares, utilizando todo o corpo para mover a peça, contraindo a musculatura para acelerar o peso e arremessá-lo. Após o arremesso, a musculatura deve estar relaxada para que o movimento flua e o peso retorne ao ponto anterior, onde ocorre a desaceleração do peso com a contração excêntrica da musculatura, formando assim, um movimento cíclico coordenado. Os autores ainda comentam que com a rigidez e o relaxamento muscular em momentos exatos, atletas de elite criam ondas de choque através do corpo ao executar gestos esportivos maximizando assim o desempenho dos mesmos. Como muitos dos exercícios executados com o kettlebell possuem este caráter balístico, são considerados movimentos compostos, pois em sua primeira fase um movimento de força, com partes do corpo aceleradas através de uma contração concêntrica dos agonistas, estas, sem um impedimento da contração de músculos antagonistas; a segunda fase é um movimento inercial, onde não há ação de contrações musculares e, na fase final, ocorre uma desaceleração que resultante da contração dos antagonistas ou da resistência passiva que os ligamentos e músculos alongados oferecem.

3. Sobre os efeitos metabólicos de protocolos de treinamentos com kettlebell.

Muitas das pesquisas desenvolvidas com o kettlebell demonstram que o mesmo é uma ótima ferramenta desenvolvimento do sistema cardiorrespiratório, além disso, seu formato favorece o desenvolvimento de técnicas dinâmicas para ganhos de potência muscular. Pôde-se notar que os exercícios realizados com kettlebell demandam um tempo menor de execução nas sessões de treino, tornando-se assim, um atrativo para as pessoas que buscam condicionamento físico e que não têm muito tempo disponível em seu dia a dia. Porém é importante salientar que, pela característica balística, muitos exercícios do kettlebell exercem forças compressivas de cisalhamento na coluna vertebral, portanto, podem existir riscos quanto a sua utilização para alguns tipos de público, como pessoas com fraqueza na região lombo-pélvica, por exemplo.

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Recomendações:

É importante salientar que, apesar dos benefícios, nenhum dos estudos apresentou uma avaliação para prescrição de carga na utilização do kettlebell em um programa de treinamento, onde, muitas vezes, a carga era definida por ser uma carga utilizada comumente. Mais estudos devem ser feitos no intuito de padronizar avaliações para predição de cargas e manipulação das mesmas.

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* MCGILL, Stuart M.; MARSHALL, Leigh W. Kettlebell swing, snatch, and bottoms-up carry: back and hip muscle activation, motion, and low back loads. The Journal of Strength & Conditioning Research, v. 26, n. 1, p. 16-27, 2012.